Resenha: Fera d'alma


Oi gente! O Mundo Mágico dos Livros acaba de ganhar uma nova colaboradora! A Samia Tavares de Souza é formada em Comunicação e Letras e é mais uma viciada em livros no nosso time. A primeira colaboração dela para o blog é a resenha do livro Fera d'alma, da escritora Herta Müller. O vídeo já está disponível no nosso canal no Youtube. Assistam, aproveitem e não esqueçam de deixar um comentário sobre o que acharam da resenha!

Autor: Herta Müller
Editora: Globo Livros
Páginas: 250

Sinopse: Herta Müller adianta no início de seu romance: "Carregamos no rosto o que levamos de uma terra". No caso da autora, sua terra permanece não apenas no rosto, mas também nas palavras e na narrativa de "Fera d'alma". Vencedora do Nobel de Literatura, a escritora foi reconhecida por com sua "concentração da poesia e a franqueza da proza, retratar a paisagem dos desapossados". No caso deste romance, vemos jovens privados de seus desejos e mesmo de sua individualidade, vivendo sob o regime comunista de Nicolae Ceausescu, ditador que governou a Romênia de 1965 a 1989. O grupo de jovens, formado por estudantes que, vindos de províncias pobres, buscam melhores perspectivas na cidade - onde se tornam parte da massa uniforme de temerosos súditos do Conducator, da qual tentam diferenciar-se  por meio da leitura de livros proibidos e planos de fuga. Sua união é marcada pela desconfiança que trazem em todas as esferas de suas vidas, traço caro à sobrevivência de quem lida com a constante vigilância do Estado e da polícia secreta. "Cada linha deste livro carrega histórias (ou não histórias) de vidas aniquiladas por um regime de exceção, neste caso a Romênia comunista de Nicolae Ceausescu, terra anteriormente dominada pelos nazistas", diz o escritor Juliano Garcia Pessanha sobre a obra. Marcado por traços autobiográficos, "Fera d'alma" transporta o leitor para o passado e o presente a todo instante, revelando muito mais em suas metáforas e analogias sobre a ditadura romena do que sentenças objetivas seriam capazes de explicar. A vida da própria autora, as experiências que vivenciou durante o regime de Ceausescu, permeiam todo o romance, seu tom tenso e sombrio, sem deixar claro em que momentos a autora revela a si mesma ou lembranças da personagem que narra a trama. "Atravessei cinquenta vezes uma ponte para poder inventar uma ponte sobre um rio. É justamente esta percepção inventada que eu procuro", disse Müller na ocasião do recebimento do Prêmio Nobel.

Assista o vídeo: